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25/10/2016

Como superei meu complexo com a aparência


É muito assustador o número de pessoas, principalmente de mulheres, que sentem mal resolvidas com a sua aparência e apresentam baixa estima. A ditadura da beleza literalmente dita o que é bonito e o que é feio, e quais características competem a um padrão desejável de corpo perfeito. "Eu daria tudo pra ter um corpo feito o seu" foi a frase de uma garota que eu li nos comentários do Instagram de uma celebridade da rede social. Senti o peso daquela frase e notei que as duas pessoas eram completamente diferentes. Claro, somos todos diferentes.

Parece clichê dizer que somos todos bonitos a nossa maneira. É legal apreciar a beleza do outro, mas querer excluir a nossa e substituí-la por uma cópia da de outra pessoa, sem ter consciência da gravidade de pensar dessa forma, é legal? Quantas pessoas não conseguem reconhecer sua própria identidade e sofrem querendo ser aquilo que não é e ter aquilo que não tem?
Digamos que minha mãe nunca teve uma relação comigo de mãe e filha amiguíssimas. Não que somos duas pessoas que se odeiem, mas ela nunca teve horas de conversa comigo sobre maquiagem, garotos, namoro, primeira vez, passeios no shopping, essas coisas. Acredito que por conta da criação dela mesmo e garanto que ela não também não viveu nada disso. Pois bem, ela nunca me ensinou a vestir bem, a valorizar meu cabelo, penteados, a comprar sapatos legais para o estilo de adolescente...

...Ela sempre comprava roupas "feias" pra mim digamos assim e parecia não se importar com isso. Eu era muito nova, naturalmente vestia as roupas que eu tinha e não via nenhum problema nisso. Até eu estar na escola, conviver com outras garotas da minha idade e me sentir diferente delas.

De início eu não via nada demais, apenas vivia a minha vida. Até quando começaram os xingamentos. As pessoas olhavam para mim e caçoavam da minha roupa. "Que menina feia!", diziam apontando para mim, sem medo nenhum. Imediatamente eu sentia uma flechada no peito. E eu, que já era introvertida, sentia um mal estar que não cabia em mim.

Eu tinha o cabelo bastante quebrado na época e não soltava o cabelo como as outras meninas. Não tinha maquiagem e não sabia como usar. Ah, e eu também tinha monocelhas (as sobrancelhas juntas)! Eu não via nenhum mal nisso mas desde os 11 anos as pessoas me falavam "por que você naõ faz sua sobrancelha?". Eu na minha ingenuidade não entendia a pergunta e ficava incomodada. Até eu olhar ao meu redor e perceber que pessoas normais tem apenas duas sobrancelhas, bem separadas. Eu não era uma pessoa normal então.

Lembro da primeira Educação Física da 7ª série. As aulas eram em turno extra e eu teria que lidar com outras pessoas, com mentalidades diferentes da minha, me observando. Eu sentia medo só de pensar nisso. Eu estava junto com mais duas amigas em direção ao portão da entrada quando vi que uma garota não tirava os olhos de mim e ria. Seus olhos brilhavam! Era de admiração, mas não por um motivo bom. Ela olhou para mim de baixo para cima e disparou várias vezes em tom irônico: "Eita... Que menina linda!". Eu sentia o tom de pena daquela frase. Eu sentia vontade de sumir e não entendia o por quê daquela garota ter mexido comigo.

Também não entendi o porquê de um garoto ter jogado lixo em mim, também na Educação Física, enquanto as outras meninas eram valorizadas. Talvez porque me achassem feia e eu merecesse isso. Não entendia o porquê tantas meninas comentavam sobre mim. Não entendia por que eu passava na rua e gente desconhecida fazia comentários como "que menina feia, parece um jacaré" ou "mas é feia viu!". Ou por que garotos se divertiam dizendo que eu era namorada de um deles, que logo retrucava "só se for a tua, ela é feia!". Por quê? Aquilo me dava uma dor tão grande.

Até que eu observei o quanto as meninas eram belas, tinham cabelo bonito, uma pele bem cuidada, roupas legais e eu parecia um bicho. Odiava quando lavava o meu cabelo, por que o fato de ele, como muito dos meus colegas diziam, ser "ruim" me incomodava muito. Lembro que quando eu tinha 15 anos sentei no meu quarto e me olhei no espelho. Vi meu rosto então nada feminino, as sobrancelhas juntas, os dentes tortos que eu nunca mostrei num sorriso - porque eu nem sabia o que era sorrir, por sinal -, a pele ressecada, e mexia no meu cabelo e chorava muito porque ele era bem cheio e quebrado. "Eu sou horrível". "Não posso mudar nada, vou ser sempre assim" e chorava bastante.

Se tem uma coisa que hoje eu posso afirmar com toda certeza é que as pessoas me fizeram me sentir horrível. Veja, eu, de início, não via nenhum problema nas minhas sobrancelhas juntas e nas roupas que minha mãe me fazia usar. Mas o modo como as pessoas me viam diferente e me tratavam me fez acreditar que eu era horrível. Os meninos caçoavam de mim porque eu era feia, segundo eles, do contrário eles me respeitariam como faziam com as outras garotas.

Não lembro bem como tudo começou, mas aos 15 anos comecei a fazer minha sobrancelha, que minha mãe não deixava. Comecei com a pinça aos poucos e depois não aguentei, usei navalha. Pronto, já não tinha mais monocelhas. E minha própria mãe falou: "Agora está com cara de menina".

Comecei a usar maquiagem, mas nada muito radical, mal sabia aplicar a sombra e passava muito pó na cara. Depois minha mãe me levou para fazer escova progressiva e desde então nunca mais mantive meu cabelo preso. Foi uma promessa minha: Deixar meu cabelo solto em virtude de tanto tempo que eu havia o deixado preso e não sabia a maravilha que é poder soltar o cabelo e não ouvir comentários negativos.

É... No ano seguinte, aos 16 anos, já era tudo diferente. As pessoas já não me xingavam, nem me maltratavam. O que aconteceu? "Ela mudou", disseram. Eu perdi as contas de quantos rapazes se interessaram por mim naquela época. Realmente eu me sentia mais bonita, mas por dentro eu tinha um problema: Eu era muito insegura. Ainda tinha um vazio, um medo dentro de mim. Para as pessoas, aparentemente agora eu era uma menina bonita e não tinha problemas, mas dentro de mim o medo das pessoas e de como eu tinha que me apresentar para elas ainda se fazia presente.

E eu colocava minha insegurança nas pessoas. As pessoas tinham que me achar bonita, os rapazes tinham que dizer que me achavam bonita, eu tinha que ouvir que eles gostavam de mim, do contrário, eu me sentiria mal e precisava que as outras pessoas me dessem o reconhecimento que eu não me dava e de que eu precisava.
Aos 18 comecei a pensar diferente: "Preciso de ajuda, não posso alimentar minha insegurança!". Fui tentando exercitar mentalmente a não esperar que outros rapazes elogiassem minha aparência e a depender de menos maquiagem para me sentir bonita. E hoje posso dizer com total liberdade que tanto faz tanto fez o que acham ou deixam de achar de mim.

Até que sem me dar conta, cheguei ao estado que estou hoje: Sem o menor complexo com a aparência. Não é que eu não me sinta bonita, mas não me sinto feia, mas também não me acho demais. Simplesmente sei o que sou e estou bem. A boa consciência que eu tenho de mim é tanta, que já chegaram a tentar me ofender por ser magra, mas eu pensei: "todos os dias me alimento e estou bem, por que hei de me ver da maneira errada que as pessoas querem que eu me veja?";

Hoje procuro cuidar mais de mim, fazer academia, praticar exercícios, ser feliz mesmo tendo pouco, porque eu me amo e porque eu quero melhorar ainda mais o que eu já sou. E gostaria muito que todas as pessoas sentissem isso também. Eu sei o mal estar que é se sentir a pessoa mais feia do mundo e eu não desejo isso pra ninguém. Mas antes de tudo, não precisamos mudar para atender aos desejos dos outros, mas porque precisamos mudar a forma negativa que nos enxergamos ou nos fizeram enxergar e porque precisamos nos sentir pessoas belas, amadas e bem realizadas. Achei uma imagem bem legal sobre 10 dicas para aumentar a autoestima, veja aqui

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Então é isso, creio que muita gente já passou ou passa por situação parecida e estou aqui para ajudar!
Beijos enormes <3

comentário(s) pelo facebook:

8 comentários :

  1. No meu tempo de escola eu passei por semelhante situação. Sempre fui muito magra, apesar de não ter me sentido feia fisicamente, mas tiravam muito sarro, me davam apelidos de vara pau, olivia palito e isso com certeza mexeu com a minha cabeça. Desenvolvi um complexo muito grande com meu corpo, tomava muita vitamina, e comia que nem louca, mas a minha genética é de pessoa magra.
    Hoje digamos que eu ainda tenho um descontentamento, mas faço coisas saudavéis para me sentir bem comigo mesmo.
    Adorei o post, me deu ate uma ideia de um la pro meu cantinho....
    Bjs
    Anny - www.falaaianny.blogspot.com.br

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    1. Sabe, cada um tem seus problemas e aspectos em que pode melhorar. Mas isso nunca dá liberdade ou direito para alguém desprezar ou ridicularizar o próximo! Pensando por esse lado dá uma pena enorme das pessoas que cometem essas maldades. Não tem coração! E pior que a gente acaba absorvendo isso tudo como verdade absoluta e intensifica ainda mais. Só fui ter a mente forte para rejeitar isso quando adulta, mas e se eu ainda tivesse a mente fraca? Quantas pessoas não cometem besteiras?
      Fico feliz que você tem procurado se ver de uma forma melhor, a ponto de buscar se cuidar, pensando no seu bem estar, isso é realmente um grande passo. Não sei a ideia que eu acabei te incentivando, mas se for um post sobre isso vou adorar ler :)
      Beijos!

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  2. Oi Juliana, tudo bem?
    Também já passei por muitos momentos de baixa auto-estima. Sempre me achei magra de mais, nariguda de mais, e acredito que a pior parte da situação é querer ter o corpo e a aparência de outra pessoa, pois acho isso extremamente preocupante. Depois de muitas coisas, hoje olho pra mim de maneira mais amorosa, e acredito que esse é o ponto sabe. Você se amar e valorizar o que você é. Cada detalhe do seu corpo, afinal somos perfeitos e não interessa o que outras pessoas possam dizer, ou o que a mídia possa pregar ser perfeito. Quando nos amamos transbordamos isso e automaticamente isso acaba extravasando da gente.
    abraços,
    Amanda Almeida
    http://blog.amanda-almeida.com.br/

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    1. Extremamente preocupante mesmo! Se você se compara com o outro, a ponto de se anular e querer a vida do outro, isso é doentio, muito! E triste pra caramba.
      Quando a gente passa a reconhecer quem somos, aos poucos tudo vai ficando mais fácil. Não é num passe de mágica, para muitas pessoas há n fatores a superar como a depressão, outros complexos... mas o pouquinho de atitude que a pessoa consegue tomar para se ver com outros olhos e reconhecer seu próprio potencial já ajuda muito. Depositar nossa beleza e bem estar no que as pessoas falam nunca vai nos trazer a felicidade plena que precisamos. E as pessoas que propagam essa discriminação toda precisam de mais ajuda ainda.
      Muito obrigada pelas belas palavras!
      Um beijo <3

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  3. Ju, que post incrível!
    Fiquei até sem palavras. Na falta delas, deixo aqui o meu abraço virtual pra você. <3
    Cê é maravilhosa!

    blogdeclara.com

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    1. Abraço virtual recebido! *__*
      Muito obrigada pelo elogio, o carinho é recíproco! Beijão <3

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  4. Juh, li esse post ontem mas não conseguir comentar, então voltei agora. Primeiro de tudo, mesmo sendo clichê eu tenho que te falar: vc não tá sozinha nisso aí, não. Algumas das situações que vc passou, eu também passei, lá pelos 12, 13 anos. Sabe, antes eu não me ligava nada em aparência e tudo mais, e nem gostava de make e essas coisas, e até aí tudo bem, minha pele era boa naquela época haha Mas quando mudei de escola e me deparei com um número maior de pessoas, com idade e aparência variadas, comecei a pensar sobre isso. E quando comecei a sofrer bullying, pensei mais ainda. Passei um bom tempo sem me olhar direito no espelho pq não conseguia enxergar uma coisa positiva na minha aparência. E também passei por aquela fase do "Ah, se eu fosse mais parecida com fulana!" Mais tarde, lá pelos 14 anos, digamos que ainda não tinha aquela autoestima, mas já me importava menos, pq foi também quando comecei a ter contato com a esfera alternativa, ouvia bastante rock e tal, e o que me fez continuar nesse meio foi que acabou sendo o primeiro lugar onde vi que a aparência pouco importava. Eu via que as meninas que curtiam rock na escola não estavam entre as mais "bonitas" nem se preocupavam com popularidade e esse tipo de coisa. Elas só queriam cuidar da vida delas, ouvir música e ponto final. A partir daí, eu comecei a focar nas transformações interiores, e acho que foi isso que me libertou. Eu meio que decidi que se eu não podia contar com uma aparência impecável pra conquistar ninguém, as pessoas iriam gostar de mim pelo que eu era. E fui investindo naquilo que eu gostava, escrita, música, arte, e até hoje as pessoas que conheci naquele tempo se lembram de mim por isso, e também foi assim que consegui minhas amizades. Hoje eu tô na faixa dos 20 que é quando a gente liga o fuck off e começa a se dar ao luxo de relaxar, buscar conforto no que usa, aprende a se olhar por outros ângulos, mas antes disso tenho que te falar que eu não era nada bonita hahahaha Hoje tô tranquila, tô bem do jeito que tô e só sigo olhando pra frente, mas não reclamo tanto do meu passado pq penso que se não tivesse atravessado tudo aquilo, talvez hj eu não fosse a pessoa que sou e que tanto gosto de ser. Aquilo me sensibilizou, e por isso li todo o teu post com o coração na mão hahahahaha
    Te admiro muito pela coragem e expor tudo isso, e te acho uma inspiração!
    Um abraço e um beijo!!!

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    1. Achei bem interessante a forma como você superou tudo isso! Encontrar conforto em outras pessoas que vivem no mesmo universo que você e poder perceber o que realmente é importante. Quando a gente se encontra e se entende tudo fica mais fácil.
      Eu também não era lá essas coisas, acredito que todo mundo é meio estranho lá na adolescência, etc, hehe, mas com certeza ninguém tem o direito de sofrer bullyng e ser desprezado pelas condições que apresenta. Já fiquei bastante triste pelo meu passado, mas vendo pelo lado que você falou faz todo sentido se orgulhar dele. Quem garante que eu não estaria insegura hoje? Passar por tudo isso ajudou muito a não ter mais nenhum complexo hoje. Não deixo nenhum pensamento negativo das pessoas sobre minha aparência infiltrarem na minha cabeça!

      Fico grata de coração pelos elogios! É muito bom saber de tudo isso, apesar de eu não poder compreender de fato o quanto eu pude ajudar as pessoas escrevendo esse post. E são muitas pessoas que passam ou já passaram por isso, muitas mesmo, e temos que de certa forma mostrar que estamos juntas nessa <3

      Um beijão e obrigada por tudo!

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