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13/08/2016

No balanço da vida


Sofia estava sem ânimo. Sentada no balanço, olhava para as outras crianças. Todas estavam bem ocupadas correndo de um canto a outro, eufóricas. Havia outras crianças em outros balanços, prestes a levantar voo e ir além, inclusive o garoto que estava do seu lado. O pai dele empurrava seu balanço e estava atento a qualquer problema que pudesse vir a acontecer com o seu garotinho. Já o balanço de Sofia estava inerte, assim como ela. Estavam parados, sozinhos, solitários.

Não parecia justo ver todas aquelas crianças felizes ao lado dos seus pais. Nem era pra ser justo ou injusto, para ser sincero, mas Sofia não conseguia entender por que ela não compartilhava da mesma felicidade. É pedir demais um pouco de atenção e amor? Sua infância estava se passando e Sofia não sabia o que era guardar memórias de brincadeiras com seus pais como acontece com seus colegas de turma. Talvez ganhar uma festa de aniversário e ver seus pais presentes cantando "parabéns pra você" fosse só mais um conto que se vê em histórias. E a vida de Sofia era uma história de terror, daqueles que não acabam com finais felizes.

O balanço esteve o tempo todo parado desde que Sofia tinha iniciado a reparar nas outras crianças. E depois de olhar profundamente, pôde refletir sobre a vida. "Minha vida não é nada feliz", pensou. E permaneceu quieta. Quando de repente, sente algo tocar em suas costas bruscamente:
- Sofia, prepare-se para voaaaaaar...

Era Pedro, seu irmão de 5 anos. Ele parecia realmente acreditar que o balanço tratava-se de um avião ou algo do tipo. Sofia se assustou um pouco, mas logo soltou várias gargalhadas se rendendo à travessura do irmão. Pedro acabara de largar da escola, e sua vó apareceu logo atrás para buscar Sofia também. Dona Ana, já extremamente cansada e viúva, não esqueceu de trazer seus netos de volta a sua casa. Também não esqueceu de levá-los à escola hoje. E Sofia percebeu isso. No meio de tantas atividades e preocupações, sua vó não havia se esquecido dela. Quem sabe isso não era amor também? Amor que Sofia buscava na presença de um pai e de uma mãe que ela e seu irmão não tinha.

Quanto tempo perdemos parados num balanço olhando o quanto a vida do outro parece mais feliz? E não percebemos que a felicidade e a sutileza da vida se apresenta de diversas formas, para cada um de nós. Deixamos de pegar impulso, de sentir a brisa do vento balançar nos nossos cabelos, de nos sentir nas nuvens para nos contentarmos com não sair do lugar. Temos uma vida e tudo para fazer dela a melhor possível, mas preferimos ficar parados contemplando nossas angústias e tristezas.  Achamos que tudo está distante para nós, mas não está.

Às vezes é preciso que inesperadamente a vida nos surpreenda e possamos gargalhar com alegrias então repentinas. Mas ela pode ser duradoura. Desde que saibamos manter nosso balanço sempre a balançar, sabendo que mesmo com os altos e baixos da vida, ela merece ser apreciada. A felicidade sempre esteve a um alcance, mas só a alcançou quem no balanço da vida se atreveu a se balançar.

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comentário(s) pelo facebook:

18 comentários :

  1. Adorei o jogo de palavras que fez com o balanço da vida ♥ Às vezes a gente precisa passar por momentos péssimos para entender o real sentido das coisas. A felicidade pode ser duradoura sim, mas precisamos saber como mantê-la, como prestar atenção nos detalhes, das sutilezas que a vida nos proporciona. Teu texto tá lindo.

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    1. Foi inusitado, saiu na hora da escrita hehe. Amei seu pensamento <3

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  2. Gostei muito da forma como vc expôs a sua ideia, de maneira bem sutil e delicada e com uma mensagem clara :)
    Beijos,

    Amanda
    www.talesandtalks.blogspot.com

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  3. Hoje estou lendo um texto mais inspirador que o outro, quero ler seus outros textos já! Muitas vezes tudo que precisamos e de ler, palavras assim, que inspirem, confortem e te fazem refletir - já salvando nos meus favoritos <3

    // Beijosss, http://www.dontstopblog.com/

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    1. Que lindo seu comentário! Espero poder proporcionar boas leituras.
      Beijos

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  4. Adorei o texto e o seu jeito de escrever! Quero mais :)

    Beijo!
    Cami.

    www.delamila.com

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  5. Adorei esse post, muito legal e concordo não devemos ficar lamentando sim reparar nas pequenas coisas que nos surpreende. Devemos parar de comparar as nossas vidas com as dos outros pois a felicidade esta nas pequequenas coisas . Parabéns adorei !!
    Beijos
    https://pequenosinfinitosz.blogspot.com.br/#uds-search-results

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  6. Bom.. No meu caso, fui adotada aos 2 meses de idade e nunca conheci meu pai.. Essa data de hj, todos os anos para mim é igual.. Normal.. Mas concordo q não devemos olhar e ou comparar a felicidade dos outros e lamentar nossas desilusões na vida e sim buscar a nossa felicidade seja interior, material.. Enfim.. Buscar o q nos faz mais feliz sempre!

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    1. Que legal que você enxerga assim! É desse jeito que tem que ser! Beijos

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  7. Muito amor, as pessoas esquecem que há milhares de crianças que não tem uma família padrão unida e que as mesmas tem o mesmo direito de felicidade daquelas criadas por duas pessoas, porque no fim das contas, não importa o número, mas a qualidade da criação que é: estar presente, dedicado e cuidadoso durante todo o período da infância e adolescência, avós, mães, tios, fazem tão perfeitamente esse papel quanto qualquer outra pessoa e no fim das contas, quando crescem, as crianças percebem isso a sua própria maneira: que somos felizes com o que temos, mesmo que não seja igual ao que a maioria das pessoas tem <3
    Amei o texto!
    Iza do blog Peixinho Geek

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    1. Gostei muito do pensamento viu! Cada um com sua realidade e felicidade, isso é o que importa! Beijo

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  8. Que texto mais fofo e sutil. É incrível como nossa sociedade nutre a ideia de que a grama do vizinho é sempre mais verde e bem cuidada. Nós estamos habituados a ver destacados nos lugares e, em especial nas redes sociais, apenas o melhor de cada pessoa: seu melhor ângulo, seu melhor sorriso, seu melhor presente, seu melhor momento. E nos esquecemos que a vida de todos é repleta de altos e baixos, que cada conquista nossa deve ser impulsionada por nós mesmos, que, para sentir o vento no rosto, precisamos tirar os pés do chão e acreditar. Adorei e leitura!
    xoxo

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  9. Que texto mais fofo e sutil. É incrível como nossa sociedade nutre a ideia de que a grama do vizinho é sempre mais verde e bem cuidada. Nós estamos habituados a ver destacados nos lugares e, em especial nas redes sociais, apenas o melhor de cada pessoa: seu melhor ângulo, seu melhor sorriso, seu melhor presente, seu melhor momento. E nos esquecemos que a vida de todos é repleta de altos e baixos, que cada conquista nossa deve ser impulsionada por nós mesmos, que, para sentir o vento no rosto, precisamos tirar os pés do chão e acreditar. Adorei e leitura!
    xoxo

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    1. Quando esquecemos de olhar para o nosso próprio jardim e tentamos destruir o do outro é a pior coisa possível. É tudo questão de escolhas, precisamos fazer a nossa parte! Já ouvi por aí que "a vida é da cor que a gente pinta" e é bem isso mesmo.
      Um beijo

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